segunda-feira, 16 de março de 2009

MENSAGENS DO VELHO MUNDO LEMBRAM D.PAULO PONTE

D. Paulo Ponte
(celebração em ação de graças por mais um aniversário da Rádio Educadora na Igreja da Sé)

Mensagens repassadas pela Radialista Raíssa Farias recebidas através de E-Mails, gentilmente cedidas para postagem neste Blog.



Foi com tristeza e um grande vazio no coracao que fiquei sabendo da morte de Dom Paulo, que deixa uma lacuna no clero do Brasil pelo seu dinamismo e lideranca. Nos momentos de crise economica porque passamos seria importante ter alguem como ele que nao tinha medo de se expor na televisao ao falar contra a corrupcao no governo e a favor de uma politica educacional de base mais adequada. Com o seu amor ao apostolo Paulo e suas cartas ele sabia encontrar sempre inspiracao. Sua perda e` irreparavel.Estou enviando texto que fiz e que submeti aos jornais da cidade para publicacao.Deus te abencoeClauber

Morte de Dom Paulo Ponte e seus vários sentimentos

Clauber Lima*

O primeiro sentimento que nos vem ao espírito quando ficamos sabendo do falecimento de Dom Paulo Eduardo Andrade Ponte é de tristeza, seguido de um grande vazio no coração.

Com a sua partida surge uma lacuna no clero maranhense e brasileiro porque, com ele havia quase sempre, nas pequenas e grandes reuniões, muito dinamismo, liderança e grande capacidade intelectual.

Para espantar este vazio existencial gostaríamos de prestar-lhe uma homenagem derradeira escrevendo alguns fatos e pontos da sua vida que julgamos úteis para consolar a todos os que o conheceram e que estão tristes pela sua partida espalhados pelo Brasil através da CNBB e seus órgaos administrativos, por Roma e o Colégio Pio Brasileiro, pelo CEFAL em Paris e por amigos do Canadá e Estados Unidos, etc.

Há muitos acontecimentos espalhados pelas nossas mentes em todos estes anos mas um fato marcante dos inícios da sua carreira como Arcebispo foi o que aconteceu quando da sua nomeação para Arcebispo de São Luis em 1984, vindo de Itapipoca no Ceará:

A convite dos seus superiores os seminaristas foram espalhar cartazes com sua foto pelo centro de São Luis e o povo inocentemente perguntava: - Quem é este politico que está na foto? Nós não o conhecemos. É de um partido novo. Os estudantes respondiam que tratava-se do novo Arcebispo que o Papa tinha nomeado para São Luís e ai o povo ficava contente e continuava a cuidar dos seus trabalhos na madrugada fria e úmida, parecendo que tinham mais energia por terem um pastor que iria estar presente em suas vidas. Esta alegria parecia demonstrar que ele iria permanecer no cargo por muito anos e isto de fato aconteceu.

Na sua homilia de posse exaltou a intelectualidade maranhense, fazendo referências a ida do apóstolo Paulo a Atenas e dizendo-se familiarizado com São Luís por ser a Atenas Brasileira e ele também chamar-se Paulo.

Embora sendo cearense de nascimento, soube adaptar-se à cultura maranhense e criar raízes tão fortes por aqui, que terminou residindo entre nós até o seu último momento de vida. Em pouco tempo Dom Paulo passou a ser conhecido e amado e passou a fazer parte do ambiente colonial da cidade.

Apesar de seu amor por São Luís, nunca se esqueceu de Fortaleza e, sempre que podia fazia uma visita à sua família no bairro residencial Aldeota.

Pessoalmente se dizia tímido mas na verdade isto era uma forma pastoral de permitir o surgimento de novas lideranças. Ao invés de sufocar as lideranças ele permitia que elas se formassem espontaneamente, promovendo-as através de palavras e gestos concretos como a busca constante de financiamento para a formação de novas lideranças no meio do clero e dos leigos engajados.

Um aspecto marcante de sua personalidade era sua voz forte e convincente. Outro aspecto era o de que mesmo com suas imensas obrigações de Arcebispo sabia encontrar tempo para o estudo e a oração e dizia que a tarefa primeira do seminarista era o estudo e a oração. Depois é que vinha o trabalho pastoral com as comunidades eclesiais.

A geração de sacerdotes ordenada por Dom Paulo Ponte nos anos 90 sentirá falta das suas inúmeras palestras quando do seu retorno de suas viagens à Europa, onde ia buscar recursos para o Seminário. Fazia bem ao espírito ouvi-lo falar do novo Milênio pelo qual ele tanto ansiava. Conhecedor das mazelas humanas, preocupava-se com o abandono pastoral dos jovens nos países ricos e com a incidência de suicídios no seu meio, pela falta de um profundo sentido para a vida.

Com a sua formação intelectual Dom Paulo poderia ter sido chefe de Estado ou um grande administrador de empresa, mas preferiu dedicar seu tempo e talento para o crescimento das sementes do Reino de Deus no Mundo.

Na Universidade Católica de Louvain-la-Neuve, na Bélgica hospedou-se certa ocasião com as irmãs Beneditinas e fez uma palestra para os estudantes universitários falando sobre a realidade histórica, política e social do Brasil com uma paixão e um conhecimento de causa como poucos o sabiam fazer.

Como intelectual orgânico que era, sabia ler grandes obras como Heidegger e ao mesmo tempo acolher ao povo simples com afeto e mansidão e conduzia-os facilmente como o pastor conduz as ovelhas para as boas pastagens do Reino de Deus. Na sua simplicidade no falar com o povo nem parecia ter sido formado através da rigidez dos estudos na Universidade Gregoriana de Roma e no Instituto Católico de Paris.

Conta-se que certa vez só tinha consigo um Missal em latim e, para não fugir da sua obrigação pastoral, fez uma tradução espontânea do texto latino para o Português e encontrou as palavras adequadas para consolar uma jovem viúva que estava inconformada com a morte do marido.

Um outro sentimento que temos com a sua partida é o de que ele fez tudo o que esteve ao seu alcance para levar o amor de Jesus aos corações e que devemos seguir o seu exemplo e aceitarmos de bom grado que ele não esteja mais fisicamente entre nós.

Descanse Dom Paulo Ponte e não se preocupe porque saberemos fazer a nossa parte para que Jesus continue sendo amado na Eucaristia e que os pobres continuem a ser evangelizados e que todos: homens, mulheres, crianças e todos os deprimidos deste novo Milênio recebam sua parte na herança do Reino de Deus.

· Clauber Lima é Sócio do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão.



Mensagem Padre Clemilton direto da Itália
A Arquidiocese de Sao Luis vive um dia muito paradoxal. Eu, como membro da mesma nao sinto diferente, ao contrario, me sinto, particularmente saudoso. Saudoso por nao poder diretamente condividir com os meus estes dois momentos: um de silencio e recolhimento, outro de expriessiva festividade.De Dom Paulo, serao, sem sombras de duvidas, eternizadas nao somente muitas passagens da sua vida que tive o privilegio de tomar parte. Eternizarei muitos dos seus valores com os quais me identifico, a saber: O amor pela Eucaristia, a empolgaçao pra anunciar aquilo em que acreditava, o zelo pelas vocaçoes etc. Sou profundamente grato a Deus por me haver dado a oportunidade de manifestar a ele, ainda em vida, todo o meu apresso e estima, ele o sabe . Certamente jà recebeu seu galardao. Afinal a sua crença nao dizia o contrario. A ele repouso e paz eterna. Quanto aos neos-Diaconos, Guto e seu Riba, puderam dar a Dom Paulo a alegria de celebrar sua Pascoa realizando o que foi uma das mais nitidas ocupaçoes suas: as vocaçoes sacerdotais. Serà um registro inapagavèl na vida dos dois e de toda nossa Arquidiocese. Para mim este foi um sinal do Deus que ama, chama, e consagra para a missao, de forma que quando chega o tempo os que ja cumpriram sua vao para junto de Deus sem interromper o percurso dos que estao iniziando a sua. foi o que aconteceu hoje em nossa Igreja particolar. Dom Paulo defendia sempre que um ministro ordenado devia cuidar primeiro do sua obrigaçao, isto è da missao de atualizar o misterio salvifico de Cristo, por isso, parabenizo a feliz atitude de Dom Belisario em nao transferir a ordenaçao. Esta, foi certamente uma forma de Deus continuar chamando operarios para sua vinha. Aos meus irmaos diaconos meus votos de um sereno e frutuoso ministerio que certamente contarà com a empolgante intercessao de Paulo que agora mais do que nunca continuarà sendo Ponte, ponte entre nòs e Deus. Com gratidao, Pe. Clemilton Moraes.

Um comentário:

  1. FICO TRISTE COM A NOTÍCIA DO FALECIMENTO DE DOM PAULO PONTE.
    EU O CONHECI QUANDO ELE TOMOU POSSE COMO ARCEBISPO DE SÃO LUÍS. EU ERA ENTÃO COROINHA DE UMA PARÓQUIA DA ARQUIDIOCESE. DEPOIS, QUANDO PARTICIPEI DE GRUPOS VOCACIONAIS, ELE ME INCENTIVOU MUITO A SER PADRE, POIS APOSTAVA MUITO NA MINHA VOCAÇÃO. NÃO ME TORNEI PADRE, POIS ME CASEI E TENHO HOJE 3 FILHOS.
    DAQUI DE BRASÍLIA, ONDE VIVO HÁ ALGUNS ANOS, GUARDO A LEMBRANÇA DAS VEZES QUE O ENCONTREI E NÃO VOU ESQUECER DA AMIZADE QUE ELE TINHA POR MIM E DA CONFIANÇA QUE ELE DEPOSITAVA EM MIM.
    ELE FOI, AGORA, PARA A CASA DO PAI, DE ONDE ESTÁ INTERCEDENDO POR TODOS NÓS QUE CONTINUAMOS AQUI...

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